domingo, 23 de outubro de 2011

Carta aos meus pais

Durante muito tempo vivi sem saber o valor do amor imenso e incondicional desses dois. Só depois que a vida me trouxe experiências suficientes para eu enxergar que o que eles fazem por mim não é quaisquer pais que fazem, e o quanto a maneira de agir dos pais afeta o modo de cada um agir, ser e se relacionar pelo resto da vida é que senti verdadeiramente o valor dessa relação com os meus pais.

Todo mundo é complicado. Mas existem complicações tão cabeludas que eu – enquanto estava fechada no mundinho familiar – não sabia que existiam e de onde vinham. Esbarrei nessa vida com pessoas tão complicadas que já até me fizeram pensar se era eu quem era a louca.

Pais são pessoas, como eu e você. E há pessoas de todos os tipos. Das mais egoístas, descompromissadas e falsas às mais altruístas, generosas e de confiança. Sorte minha, meus pais são do segundo tipo. É claro que isso atrapalha nas minhas relações no sentido de eu esperar muito mais do que algumas pessoas podem dar – simplesmente porque não receberam o que eu recebi.

Não existe um padrão de comportamento e vivência da paternidade e da maternidade. Não, na maioria das vezes, o amor dos pais não é incondicional, nem imenso. Sim, há pais egoístas que deixam seus filhos na falta, na ausência, na carência, na perdição. Sim, há pais que não se importam com os filhos. Há pais mais preocupados com a própria vida e o próprio prazer do que com a vida dos filhos – em qualquer idade ou classe social.

E meus pais são do tipo que têm um amor incondicional, imenso. Talvez pequem pelo excesso – e contra isso eu já lutei, já me rebelei, já fui agressiva e já fugi muito -, mas hoje vejo que isso é tão melhor do que pecar pela falta. Eu só consigo ser tão aberta a amar e confiar nas pessoas por causa dos pais que tenho - em quem sempre pude confiar de olhos fechados. Se a vida não me der mais nada, já me deu muito.

Ter a capacidade de dizer “obrigada” a meus pais, respeitá-los e valorizá-los com todos os seus defeitos é a maior prova de que não sou mais uma menininha. É, acho que posso dizer que cresci.


Retirado do http://quer-namorar-comigo.blogspot.com

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